Escultura de paisagem - Landart
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Projecto de `Permaculture` Monte Novo Algarve, Portugal
Cheguei a pensar plasmar e moldar o terreno, criar a base para o futuro sustentável.
Criar uma escultura nestas dimensões, era uma experiência nova e um desafio à minha imaginação tridimensional. Os terraços retêm a água e fazem defesa da erosão.
Tive de mexer muitas rochas
Para construir muros
Foi uma experiência excitante, construir uma casa. Aprendi cena na escola de arte e sabia criar um espaço. A maior parte da construção fiz eu própria e aprendi bastante as técnicas, materiais e o uso dos apoios estruturais. Durante as obras fui continuamente confrontada pelo credo que não sou rapariga bonita, porque as obras não são do meu domínio. De facto não tive nenhuma experiência das coisas que fiz, só tive as instruções dos livros.
Para construir no projecto um sistema biológico, consultei o livro de Permaculture de Bill Mollison. Este sistema promete o mínimo de manutenção para uma diversidade máxima de vegetação e fauna.
Acabei de plantar a primeira árvore, quando o primeiro pássaro chegou para descansar.
- e recolhi grandes montes de algas do lago para melhorar o solo. Reparei no perigo da luta química e mecânica contra as selvas, porque afecta gravemente o equilíbrio biológico.
Senti muito prazer em produzir fertilidade e tapei a terra com camadas fortes de palhagem. O que fez com que o cheiro da terra se tornasse mais intenso e vivo e eu podia imaginar toda a espécie de micro-sistemas a vibrar em cima do solo e estenderem-se todos à volta da planeta.
Com o progresso da construção da horta, senti a vida chegar à instalação, e tudo era bem. Relacionei-me com todas as plantas.
A vida oscilou tranquilamente. Aprendi a viver sem conforto e luxo, ocupando o dia com a presencia própria. Gostei muito de me enfiar pelas plantas, cuidando um pouco aqui e além, andar comendo e ser centro das coisas. Aprendi a tomar nota dos sinais anunciando acontecimentos: o tempo muda com a lua cheia e acontece muito vento. Quando as andorinhas voam baixo e os sapos migram, não preciso de regar.
O projecto era uma cena onde experimentei as minhas ideias. Admirei Buckminster Fuller e fiz um “croqui” de uma cúpula geodésica, inventei as juntas e comecei a construir. O resultado será a prova do caso.
Empurrei-me a penetrar num montão de dúvidas para dar passos monstruosos da autocracia. A instabilidade da estrutura incompleta, reflectiu o meu estado psicológico.
O stress causado por esta ventura arquitectural, culminou numa alucinação esquizofrénica:
O sítio era um campo de experimento, invenção e especialmente descoberta. Redescobri as leis da física e com intuição e persistência instalei sistemas de energia solar, tratamento de água suja, irrigação, composto e plantação. Podia aplicar o meu jeito, fabricando coisas para mim própria e aprendi tocar um instrumento.
Tive exposta às forças elementares, mas aprendi a compreender que nós somos capazes de influenciar o meio ambiente para o melhor. Estou contente por ter construído este projecto numa zona árida, reflectindo em certa medida a harmonia e diversidade da natureza bem criada e eu própria ser formada por esta obra.
Uma paisagem de longa vida, produtiva e para si linda, talvez seja o melhor que uma sociedade pode herdar.
FIM |
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